Por Guido Pinto Teles – “O Cronista da Bola”
O futebol não espera pela primeira jornada para começar a ser decidido. Muitas vezes, a época é conquistada — ou perdida — no mercado de transferências. E nesta pré-temporada da Temporada 6 do E-Manager Classic, vê-se de tudo: negociações cirúrgicas, apostas arriscadas e decisões que podem parecer acertadas… até o primeiro apito.
No Arsenal, o mercado trouxe nomes de peso. Paolo Maldini e Fernando Redondo, ambos aceitando cortes salariais, chegam para formar um dos planteis mais respeitados do continente. Mas nem tudo são rosas: Xavi, peça que parecia central para Ancelotti, pode sair antes mesmo de vestir a camisola dos Gunners. No meu tempo, isso chamava-se “comprar um violino e guardá-lo no estojo”.
O Liverpool manteve o núcleo duro e reforçou-se com inteligência. Após longa negociação, Hristo Stoichkov enfim renovou seu contrato, juntando-se a Jaap Stam — recém-campeão pela Inter — e ao guarda-redes Edwin Van der Sar, de regresso após uma passagem pela Roma. É uma equipa com cheiro a glória, e não me espantaria vê-los lutar até ao fim nas duas frentes.
No Manchester City, o entusiasmo inicial da massa adepta esbarrou em negociações falhadas. Ainda assim, a recontratação do capitão Ronald Koeman garante liderança para guiar os novatos do ataque. Com espaço no orçamento, a promessa é de agressividade nas próximas janelas.
O United optou por experiência: Michael Laudrup, contratado a peso de ouro, terá de justificar o investimento. Giuseppe Bergomi, à beira da reforma, foi convencido a liderar a defesa. Mas as dívidas acumuladas obrigam a criatividade — e o risco — no mercado.
O Atlético de Madrid, um dos favoritos ao título, construiu uma muralha alemã com os novatos Manuel Neuer e Philipp Lahm, mas falhou na busca por um médio versátil. Ainda assim, é plantel para sonhar, desde que a lacuna seja preenchida.
No Barcelona, toda a aposta foi em Oliver Kahn. A operação esvaziou recursos e Sacchi já demonstra frustração com a indefinição do plantel para os treinos. Não seria a primeira vez que um treinador já prepara suas malas antes mesmo do início oficial da temporada…
O Real Madrid completou o plantel cedo, mas sem conseguir atrair as estrelas desejadas. Sergio Ramos impressiona, mas falta experiência ao grupo. É caso para perguntar: numa prova longa, quem segura o barco quando o mar se agitar?
O Sevilla, que “bateu na trave” na última época, reforçou-se com Luis Figo e o campeão Peter Schmeichel. Keane, insatisfeito com a proposta recebida, dá lugar a Didier Deschamps. É um conjunto maduro, pronto para transformar a frustração passada em conquista.
A Internazionale buscou equilíbrio: Cafu e Andriy Shevchenko juntam-se a Gianluigi Buffon, Ryan Giggs e aos jovens Wayne Rooney e Wesley Sneijder. Falta um cérebro para decidir as partidas na frente, mas se chegar, Benítez poderá sonhar com o bicampeonato.
Na Juventus, o mercado foi vistoso: Romário e Ronaldinho dão à frente de ataque um brilho raro. Roy Keane completa o meio-campo, deixando claro que Steven Gerrard será utilizado como moeda de troca. A grande incógnita é o novato Keylor Navas, encarregado de substituir o ícone Zenga que se aposentou após uma carreira inteira dedicada à velha senhora.
O Milan tem lacunas, mas buscou nomes de peso como Matthias Sammer e Marco Van Basten, ambos à procura do primeiro título da carreira. O desafio será atrair atletas em plena forma física, mas o manager milanista tem fama de transformar limitações em soluções.
Por fim, a Roma encontrou um parceiro à altura de Ronaldo: Roberto Baggio. Porém, a defesa é o ponto crítico com o guardião Rustu Recber a estreiar-se à prova na elite do futebol. A opção por um estilo de jogo saturado pode ter limitado o mercado inicial e a pergunta que fica é: terão tempo para corrigir a rota?
A bola ainda não está a rolar, mas olhando para este mercado, parece-me que a Temporada 6 está a pleno vapor. Como dizia o velho José Maria, “o jogo começa muito antes do árbitro apitar”.
